Trata-se de uma homenagem a um dos mais significativos exemplos de projeto estratégico bem-sucedido da história mundial, ressaltando a ligação atávica entre as histórias das nações brasileira e portuguesa. Segundo o Prof. Luiz Fernando Silva Pinto, autor do livro “Sagres: a Revolução Estratégica”, trata-se de “o maior programa de estratégia de todos os tempos: foi Portugal quem mudou o mundo em qualquer história que se faça da estratégia”.

Um conjunto de fatores favoráveis explica o pioneirismo de Portugal na expansão marítima do século XV. Os mais importantes são a precoce centralização política do reino, posição geográfica, rápida formação de uma burguesia comercial e, o mais significativo, uma dinastia que aposta na expansão comercial.

O surgimento de Portugal como nação independente está vinculado às lutas travadas na península Ibérica pela expulsão dos muçulmanos. Antecipando-se aos demais países europeus, Portugal já é uma nação centralizada politicamente em torno de um único monarca no século XII. O primeiro rei de Portugal, Afonso I, assume o trono pelas armas em 1139. Ele inaugura a dinastia dos Borgonha, reconhecida pelo papa em 1179.

Na porta de saída do Mediterrâneo para o Atlântico, os portos de Portugal são pontos de passagem obrigatória para as embarcações que percorrem a rota entre as cidades italianas e os mercados do norte da Europa. Cedo surgem ricos comerciantes e armadores, e os marinheiros portugueses conhecem todos os portos da Europa e do norte da África.

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Na época das grandes navegações e descobrimentos, reina em Portugal a Casa de Avis, dinastia fundada por dom João I, o Mestre de Avis, em 1385, após uma crise sucessória no reino. Ele conquista a Coroa pelas armas, apoiado pela pequena nobreza, camponeses, comerciantes, armadores e ricos representantes dos ofícios urbanos. Todos têm um interesse em comum: a expansão comercial e marítima.

A busca de uma nova rota para o Oriente exige o aperfeiçoamento das técnicas de navegação até então conhecidas. Portugal faz isso sob a direção do infante dom Henrique, irmão do rei dom João I. O infante reúne no promontório de Sagres, no Algarve, os maiores especialistas em navegação, cartografia, astronomia, geografia e construção naval. Forma, assim, o mais completo e inovador centro de estudos náuticos da época.

A expansão ultramarina envolve somas milionárias. Para financiá-la, a Coroa portuguesa aumenta impostos, recorre a empréstimos junto a grandes comerciantes e banqueiros, inclusive italianos, e aos recursos acumulados pela Ordem de Cristo, herdeira da antiga Ordem dos Templários.

Organizada para ser o braço armado da Igreja, a Ordem dos Templários enriquece durante o período das cruzadas, nos séculos XII e XIII. Contava com hierarquia peculiar e homens formados nas artes bélicas, que detinham avançados conhecimentos científicos, embora atuassem nos mais diversos setores dos reinos e também como burgueses. Terminou por transformar-se em poder paralelo dentro da Igreja e, por isso, foi dissolvida pelo papa e seus integrantes perseguidos por toda a Europa. Portugal acolhe os templários e suas fortunas durante o reinado de dom Diniz, de 1279 a 1325.

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Em terras lusitanas, eles fundam a Ordem de Cristo. Dom Henrique, membro da ordem e administrador de seus recursos, aproveita-se da base de conhecimentos científicos ali reunida e desenvolve intenso e grandioso projeto estratégico.

O Infante D. Henrique Os especialistas de Sagres aperfeiçoam instrumentos de navegação, como a bússola, o astrolábio, o quadrante, a balestilha e o sextante. Desenvolvem a cartografia moderna e são os primeiros a calcular com precisão a circunferência da Terra em léguas, numa época em que poucos acreditavam que o planeta fosse redondo.

Em Sagres nasce a caravela latina: robusta para poder enfrentar mar alto e tempo ruim, pequena para explorar litorais recortados e ágil para navegar com ventos contrários. Com essa embarcação exclusiva dos portugueses, os navegadores do reino enfrentam os perigos e surpresas do "mar Oceano", exploram o litoral da África e encontram o caminho marítimo para o Oriente.

A tomada de Ceuta, no norte da África, em 1415, marca o início da expansão portuguesa rumo à África e à Ásia. Em menos de um século, Portugal domina as rotas comerciais do Atlântico sul, da África e da Ásia. Sua presença é tão marcante nesses mercados que, do século XVI ao XVIII, o português é usado nos portos como língua franca – aquela que permite o entendimento entre marinheiros de diferentes nacionalidades.

Sagres é a vila mais ocidental da Europa.