O patriotismo no Brasil

aumentar fonte diminuir fonte

Todos os atuais Estados soberanos e independentes politicamente expressam sua Vontade nas relações internacionais, particularmente perante seus vizinhos e demais nações de interesse especial, de acordo com a capacidade do seu Poder Nacional. Existem duas formas de expressão de poder. A primeira, mais sutil e normalmente branda, é conhecida como Soft Power, caracterizada pelo viés do convencimento, onde sua forma de pensar sobre determinado tema é entendido pela outra parte como também válido e aceitável politicamente para si. Também inclui a capacidade tecnológica (ciência e inovação) e uma reconhecida competência cultural, dentre outros fatores. A segunda forma, mais visível e claramente dissuasória, é denominada de Hard Power, com características peculiares à sua dimensão geográfica, posicionamento geoestratégico, fronteiras delimitadas e reconhecidas internacionalmente, além dos recursos energéticos e de matéria prima disponíveis e da sua capacidade de defesa (dimensão, preparo e emprego das forças armadas). Ainda compondo esta segunda forma de expressar o poder existe um parâmetro mais abstrato, mas que diferencia clara e favoravelmente as manobras político-estratégicas de qualquer moldura de crise político-internacional para quem o detém, qual seja, o patriotismo. Ele difere de nacionalismo pelo fato de defender, expontânea e permanentemente, determinados valores, tais como a língua (idioma falado em todas as regiões do país), as raízes étnicas, juntamente com a capacidade natural de integrar à sua sociedade estrangeiros naturalizados, além da riqueza do seu folclore popular. Aí é materializado o núcleo de uma Nação, verdadeiramente coesa e com bases sólidas. Olhando para o nosso País, não se trata de aspirar puramente uma liderança regional, pelo contrário, é reconhecer a importância do Estado brasileiro nas duas dimensões das negociações internacionais, a regional e a global. Por exemplo, observa-se o caso de um encontro ao participar voluntariamente ou por convite externo de um encontro internacional, principalmente multilateral. A diplomacia brasileira, maior representante dos interesses do Estado e não do Governo e baseada em sólidas tradições de cooperação, se apresenta com a firmeza de seu propósito, atenta proporcionalmente à dimensão do Brasil na América do Sul e no cenário global, este restrito à região onde atua e/ou perante aqueles Estados ou organismo internacional onde também procura participar. A expressão dimensão não é limitada ao tamanho geográfico e na sua projeção sobre o Oceano Atlântico, dentro dos limites reconhecidos pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito Marítimo, denominado de águas jurisdicionais brasileiras. Esta dimensão, portanto, é superior e mais abrangente do que o aspecto geoestratégico. Ela envolve o conjunto de parâmetros contidos na forma de expressar sua Vontade, especialmente por possuir o reconhecimento e apoio da população brasileira e o respaldo político-estratégico do Poder Militar, ambos com força dissuasória legitimada pelo patriotismo identificado e respeitado pelas demais nações. Todo o cuidado deve existir para não confundi-la com nacionalismo, muitas das vezes relacionado com ideologias partidárias, limitadas ao fator tempo em face do período concedido, pelo sufrágio universal, para gerir o bem público nos três níveis de poder no Estado. Portanto, o patriotismo simboliza, permanentemente, uma ferramenta legítima, indiscutivelmente forte e única, que pode contribuir nas ações e decisões políticas e/ou técnicas a serem empreendidas pelo nosso País naquele exemplo proposto de um encontro internacional, fazendo, por fim, a diferença entre Estados impulsivos e aqueles maduros, mesmo jovens politicamente. Esta concepção deve ser ensinada e promovida desde as primeiras etapas escolares na formação educacional das nossas crianças, inclusive respeitando o valor de cada tradição cultural das diferentes regiões brasileiras. Eis o respeito que o Brasil precisa e merece adquirir com brevidade. O momento da conjuntura internacional, particularmente a regional, é favorável e especialmente oportuno para sua reflexão e adoção no País.

em 25 de março de 2008
por Roberto Carvalho de Medeiros
Imprima esse texto
versao em pdf
topo
voltar