Inteligência Prospectiva

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Inteligência Prospectiva é um conceito ainda novo no Brasil. Uma pesquisa sobre o termo indicou uma alusão à idéia no discurso da Senhora Nicole Fontaine, ex-presidente do Parlamento Europeu, na abertura do Conselho de Laeken, em 14 de Dezembro de 2001, quando ela faz referência aos desafios que novo parlamento, eleito em janeiro de 2002, teria pela frente.

Há também uma citação nos escritos de filosofia ”Raízes da modernidade”, de Henrique Cláudio de Lima Vaz, 2002, quando trata da presença de Santo Tomás de Aquino no horizonte filosófico do século XXI.

Andrés Montero Gómez utilizou o termo Inteligência Prospectiva no artigo publicado em 05/10/2006 no site do Real Instituto Elcano de Estudos Internacionais e Estratégicos da Espanha e Felipe Martínez López escreveu sobre a utilidade da Inteligência Prospectiva na revista Prospectiva, do Instituto NODO Futuro, do México.

O texto que mais aproxima do conceito sobre Inteligência Prospectiva que o Instituto SAGRES adota está no trabalho de Sherman Kent, um dos mais influentes autores norte-americano na área de Inteligência, ex-professor da Universidade de Yale e ex-diretor da CIA durante a Guerra Fria que dividia os produtos de Inteligência segundo a função esperada e o foco temporal (passado, presente e futuro).

Resulta deste critério uma separação entre Inteligência sobre fatos correntes (chamada por ele de relatorial), Inteligência sobre as características básicas e estáveis dos alvos (inteligência descritiva) ou Inteligência sobre tendências futuras (avaliativa ou prospectiva). Kent descreve um quarto tipo especial, a Inteligência sobre as ameaças mais ou menos imediatas, também chamado de alerta (warning intellinge). A tipologia de Kent ainda é encontrada em vários documentos de organizações públicas ou privadas.

É oportuno ressaltar que a Inteligência é uma ferramenta de apoio ao processo decisório utilizada há muito tempo. Sempre que foi preciso decidir sobre alguma coisa, o homem buscou informar-se para tentar diminuir o risco, uma vez que o risco é uma variável presente em toda decisão.

O processo consiste basicamente na reunião de dados e informações já disponíveis para uma análise que subsidie a tomada de decisão. Isto foi feito com propriedade e metodologia pelos Estados Modernos desde que Sir Francis Walsingham, Secretário de Estado e Chefe do Serviço de Espionagem da Rainha Elisabeth I, da Inglaterra, em 1568 criou o primeiro Serviço de Inteligência organizado que se tem notícia.

Quando este processo migrou para a iniciativa privada, mais ou menos na metade do século passado, surgiram os conceitos de Inteligência Estratégica Empresarial, de Marketing, Social e Econômica, de Mercado, Competitiva, Tecnológica, etc , dependendo do foco ou do nível onde a decisão é tomada.

Em 1958, Gaston Berger cunhou o termo "prospectiva" e publicou artigo na revista francesa Revue Prospective n° 1, definido-a como "conjunto de pesquisas a respeito de fenômenos técnicos, tecnológicos, científicos, econômicos, sociais etc, que procura prever a evolução futura das sociedades". Mais recentemente, Raul Sturari em seu trabalho “Metodologia para discrição de cenários” ressalta que ninguém deve fazer cenários com o intuito de adivinhar, predizer ou prever o futuro. As instituições elaboram cenários para reduzir as incertezas e orientar os decisores estratégicos sobre como construir o melhor futuro possível.

Portanto, para perceber o que pode acontecer no futuro, tarefa básica da Prospectiva e como chegar ao melhor futuro possível, campo exclusivo da Estratégia, há que se ter informações. Muitas informações.

Mais uma vez, a Inteligência surge como importante ferramenta aos tomadores de decisões sobre o futuro. Além de contribuir na elaboração do diagnóstico sobre o objeto do estudo, ela deve prover informações sobre atores, temas e eventos que estão presentes no ambiente interno e externo das organizações e que, combinados ao longo de um horizonte temporal previamente estabelecido, irão nos conduzir a vários futuros.

Aqui a Inteligência começa ter um foco mais específico. Quando se produz conhecimento a partir de informações do ambiente interno e externo, com foco na realidade e nos atores direta ou indiretamente envolvidos com a Empresa ou Instituição, navega-se no campo da Inteligência Competitiva. Já a Inteligência Prospectiva tira o foco dos atores e passa a produzir conhecimento sobre os eventos que irão impactar os futuros possíveis, olhando o ambiente interno e externo no horizonte temporal considerado.

Embora o ciclo de produção de informações tenha a mesma base metodológica, o foco é distinto, particularmente durante a fase de reunião de dados e informações. Há, portanto, uma série de características que diferenciam a Inteligência Competitiva da Inteligência Prospectiva. O próximo artigo trata disto.

Até mais!

em 30 de outubro de 2008
por Mário Andreuzza
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