Em setembro de 2007, o Instituto SAGRES – Política e Gestão Estratégica Aplicadas – foi contratado para desenvolver uma capacitação customizada em Inteligência Competitiva (IC) direcionada a integrantes da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (CIN).
A Rede CIN foi criada pela Confederação Nacional da Indústria, em parceria com a Agência de Promoção de Exportações – APE. Todos os CIN estão estruturados nas Federações de Indústrias dos Estados e têm o objetivo de apoiar o processo de inserção internacional das empresas brasileiras.
O caráter inovador da iniciativa está alicerçado na percepção dos dirigentes do Projeto Rede de Articulação de Competências para o Desenvolvimento Industrial e Tecnológico, acerca da importância da informação para o processo de tomada de decisão, independente do tamanho da empresa. É importante ressaltar que este projeto foi celebrado entre a Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP e o Instituto Euvaldo Lodi – IEL.
O objetivo da capacitação é estimular a construção de uma visão crítica junto aos dirigentes dos CIN sobre os conhecimentos básicos sobre IC. A idéia é que as equipes técnicas possam interagir e disponibilizar produtos para seus clientes e parceiros, com suporte neste processo de apoio à tomada de decisão. Para tanto, os integrantes da Rede foram habilitados a compreender noções essenciais de Inteligência Competitiva, com o propósito de produzir conhecimentos sobre um setor desejado e a criar mecanismos para a salvaguarda de informações sensíveis.
O trabalho foi realizado em duas etapas, nos períodos de 12 a 14 de novembro e de 03 a 05 de dezembro de 2007, respectivamente, ambas em Curitiba, nas excelentes instalações da Universidade da Indústria, da Federação das Indústrias do Paraná. O grupo foi composto por, aproximadamente, 50 pessoas dos diferentes Estados brasileiros.
A primeira etapa foi destinada à apresentação dos principais conceitos de IC, ilustradas com exemplos práticos. A segunda, muito mais aplicativa, foi composta por estudos de caso, onde os integrantes da Rede CIN puderam aplicar a metodologia apresentada, utilizando-se dos conceitos de IC em empresas fictícias criadas para subsidiar os trabalhos em grupos constituídos.
Durante todo o processo, os participantes foram submetidos a vários tipos de avaliação. Antes mesmo da primeira etapa, foi realizada uma Avaliação Diagnóstica e os resultados foram expressivos. Os números indicaram que o grupo possui elevado grau de imaginação, ética, disciplina e método, condições essenciais para quem trabalha com Inteligência Competitiva.
Na avaliação seguinte, pretendia-se identificar o quanto cada integrante da Rede CIN conhecia sobre IC. Os testes foram aplicados no início da primeira etapa e quatro em cada cinco integrantes da Rede consideravam seus conhecimentos em IC apenas “superficial” ou “insuficiente”, embora a totalidade considerasse que o uso de informações é essencial para a tomada de decisões. Outro aspecto observado foi que nove em cada dez participantes entendiam como importantes os limites da ética e da legalidade no desenvolvimento das atividades de IC; confirmando, portanto, o compromisso com a ética já evidenciado pelo grupo na pesquisa anterior.
Ao final da segunda etapa nova pesquisa foi realizada. Os participantes consideraram excelente o grau de interesse pessoal despertado pela etapa, com média 9,55 em uma escala de zero a dez. Além disso, entenderam que os conhecimentos transmitidos foram muito importantes para a aplicação prática dos assuntos em sua atividade profissional (média 8,95).
Quanto à capacitação, os integrantes da Rede CIN afirmaram que os conhecimentos dos assuntos da etapa contribuíram de modo muito significativo para seu desenvolvimento pessoal (média 9,44); que os conteúdos desenvolvidos cumpriram fielmente o programa previsto (média 9,32) e que as apresentações, a organização e o conteúdo do material didático foram excelentes (média 9,43). De modo geral, a segunda etapa foi avaliada como excelente, apresentando média 9,41.
Com estes resultados, e por ter participado de todas as fases do trabalho, é que considero que o Projeto foi um sucesso. Nos contatos que mantivemos com todos os participantes durante as duas etapas em Curitiba, os integrantes do Instituto SAGRES perceberam o elevado grau de interesse e motivação do grupo com relação ao tema.
Finalmente, há que se destacar o elevado grau de desprendimento, capacidade de organização e de trabalho do Comitê Executivo da Rede de Competências, dos consultores, professores e palestrantes do Instituto SAGRES, sem o qual o trabalho não teria o resultado que obteve.
Muito foi feito, mas este foi apenas o primeiro passo de uma longa caminhada que, certamente, está sendo empreendida pela Confederação Nacional da Indústria. O objetivo é obter melhores resultados para o conjunto de atores da indústria nacional que, em última análise, buscam acelerar o crescimento da produção e aumentar a participação brasileira no comércio global, condições essenciais para sustentar o desenvolvimento a longo prazo.
E para atingir tais resultados, informação segura e confiável, corretamente estruturada e disponível no prazo necessário, é um fator determinante. Em síntese, foi isso que passamos para os integrantes da Rede CIN.
em 23 de janeiro de 2008
por Mario Andreuzza
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