Ameaça ou oportunidade: o que faz a diferença?

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Todo neófito em planejamento estratégico costuma ser apresentado à Matriz SWOT, como ferramenta de análise simples e eficaz, aplicável a praticamente todos os campos de negócios. Trata-se de uma sigla em inglês, que significa strenghes (fortalezas), weaknesses (debilidades), opportunities (oportunidades) e threats (ameaças). Em português: DOFA.

A Matriz pode ser apresentada de diversas formas. As mais comuns são como tabela ou como eixo cartesiano.



Alguns autores preconizam o uso constante da Matriz DOFA, refazendo-se a análise a cada nova informação relevante. Outros indicam uma revisão periódica, normalmente uma vez ao ano. O fato é que a simplicidade e a eficácia dessa ferramenta não devem tornar a análise simplória, sob pena de tornar-se inócua ou, pior, traiçoeira.

Por isso, o (bom) estrategista deve investir o tempo que for necessário e utilizar técnicas de Inteligência Competitiva, na busca de informações consistentes que permitam listar cada uma das fortalezas e debilidades institucionais (do ambiente interno), bem como as oportunidades e ameaças presentes no ambiente externo. Em seguida, uma análise correta pressupõe a avaliação de cada um desses fatores, segundo uma escala pré-determinada (1 a 10, por exemplo). Depois, é realizada uma análise da relação de influência de cada oportunidade/ameaça sobre as fortalezas/debilidades, também segundo uma escala pré-determinada (0 a 5, por exemplo). Finalmente, deve-se multiplicar as avaliações pelas influências, de modo a destacar os cruzamentos mais importantes, tanto negativa quanto positivamente.





O trabalho do estrategista, contudo, não termina aí. A pergunta que se segue é: o que se deve fazer, a partir de agora? Resposta: construir o futuro desejado.

Internamente, devem ser elaborados e implementados planos, programas e projetos, com vistas a incrementar as fortalezas e eliminar — ou pelo menos minimizar — as debilidades.

Com relação ao ambiente externo, se a instituição tem poderes para influenciar nas probabilidades de ocorrência, ou não, de oportunidades e ameaças, deve interagir proativamente, com os demais atores, no sentido desejado. Caso contrário, deve elaborar estratégias robustas — embora normalmente mais caras — de modo a reagir da melhor maneira possível aos diversos cenários que venham a se concretizar.

A diferença fundamental, portanto, é saber se a corporação está preparada. A história é rica em exemplos de instituições que souberam transformar crises ameaçadoras em oportunidades de desenvolvimento, simplesmente porque estavam preparadas. Não adianta estar apenas bem-informada. A notícia, mesmo em tempo real, discorre sobre a história recente. Por isso é importante afirmar que uma consistente estimativa de futuro — incluindo as tendências, as perspectivas imediatas e visão prospectiva (de longo prazo) — constitui significativa vantagem competitiva.

No mundo cada vez mais mutante em que vivemos, antecipar-se à próxima onda de mudanças possibilitará posicionar-se na crista e surfar, em benefício de sua instituição, sua família, sua carreira e seus investimentos. De outro modo, talvez seja necessário mergulhar e esperar que a onda passe. O perigo, nesse caso, é o fôlego acabar antes da onda passar.

em 23 de janeiro de 2008
por Raul Sturari
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